domingo, 10 de maio de 2015

Exemplo de mulheres fortes: Kay France


História de Kay France, a primeira mulher brasileira a atravessar o canal da mancha.

Dezenove de agosto de 1979, 22h53. Wissant, França. A paraibana Kay France se levanta e dá seus primeiros passos em território francês. Ela está radiante. E é cumprimentada por uma pequena multidão. Seu pai e treinador, no entanto, é o primeiro a chegar até ela. Pai e filha se abraçam. Só eles sabem o que passaram juntos até chegar àquele momento. Ele está em êxtase. Ela, emocionada. O grupo que lhe espera na praia ensaia uma comemoração mais calorosa, apesar do frio que faz na região. É o momento exato em que a garota de apenas 17 anos finaliza, após 11h36min de natação ininterrupta, a travessia a nado do Canal da Mancha, tornando-se a primeira latino-americana e a mais jovem do mundo até então a realizar tal feito. Uma marca histórica que nesta terça-feira completa 35 anos. Ainda mais impressionante porque poucos anos antes, quando Kay decidiu realizar a travessia, ela nem mesmo sabia nadar. Aos 12 anos, nunca nem mesmo tinha entrado numa piscina.   

A história começa em 1974, em João Pessoa, na Paraíba, a terra natal de Kay France. E em cinco anos de aventura, tudo aconteceu. Tudo mesmo. Ela aprendeu a nadar; começou a realizar travessias em mar aberto; se perdeu e ficou à deriva por várias horas em águas paraibanas; parou o carnaval de João Pessoa enquanto todos a procuravam; foi achada e ficou famosa no Brasil inteiro por causa disto; conheceu e foi treinada pelo único brasileiro antes dela a ter realizado a travessia (Abílio Couto); rompeu com Abílio; brigou com políticos e criticou a falta de apoio do país aos seus atletas; realizou treinos específicos em água gelada; fez uma primeira travessia extraoficial do Canal da Mancha em 1978; deixou seu nome na história do canal no ano seguinte; e desistiu da natação após fazer tudo isso, em meio a convites para competir nos Jogos Olímpicos de 1980. Estava cansada. Dos esforços e da falta de apoio.

Ela começou a nadar exatamente às 10h57, sendo acompanhada por um barco que levava seus pais, o piloto, o observador (responsável por atestar que todas as regras foram seguidas e que a atleta de fato fez a travessia) e uma equipe da TV Globo. As refeições eram feitas de hora em hora, por mamadeira, já que era proibido que ela se encostasse no barco durante a prova. A mãe amarrava a mamadeira num fio de náilon e a jogava para Kay. Ela abandonava o estilo “crawl” e durante a refeição nadava de costas. Todo o processo durava entre um e dois minutos.   


Fonte: Globo Esporte.

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